Em meio à enxurrada de brasileiros que pretendem morar no Paraguai, milhares de pessoas protestam contra o bloqueio de contas do Banco Ueno, medida que atinge diretamente moradores da fronteira entre Ponta Porã e o município paraguaio de Pedro Juan Caballero.
A mobilização popular de paraguaios contra o bloqueio de contas bancárias segue a via contrária adotada por milhares de brasileiros, que afetados pelas eleições presidenciais do último dia 25, passaram a ver o país vizinho como um refúgio, uma nova alternativa de moradia.
Os órgãos reguladores do Paraguai intervieram no banco digital Ueno após concluírem que a instituição estava subcapitalizada, provocando a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e criando um problema político para o presidente Santiago Peña.
O Banco Central afirmou nesta terça-feira (4) que precisava agir rapidamente para proteger os depósitos e limitar os impactos sobre o sistema financeiro. O índice de solvência do Ueno havia caído abaixo do mínimo exigido de 50% após ajustes em seus balanços patrimoniais, segundo os reguladores.
Carlos Carvallo, presidente do Banco Central, anunciou que deixaria o cargo, mas permaneceria na função até a conclusão da intervenção. Anteriormente, ele havia comandado uma versão anterior do Ueno, vínculo que alimentou críticas de que o governo Peña era próximo demais do banco e não havia agido antes para fiscalizar o rápido crescimento da instituição.
"Minha renúncia está assinada", afirmou Carvallo em entrevista coletiva em Assunção, “pelo simples motivo de que o Banco Central do Paraguai precisa de tranquilidade para realizar seu trabalho”, informou o Jornal O Globo.
Os títulos soberanos do Paraguai registraram leve queda, com os papéis denominados em dólares e com vencimento em 2055 recuando quase 1 centavo por dólar. Segundo dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg, esses títulos estavam entre os de pior desempenho nos mercados emergentes na manhã de terça-feira.
Os rendimentos dos títulos em dólares do Ueno com vencimento em 2031 ultrapassaram 10% no início deste mês, sinalizando preocupações crescentes com o crédito da instituição. Os papéis foram emitidos em março, quando o banco estreou no mercado internacional de títulos, afirmando, na ocasião, que os recursos seriam utilizados para financiar oportunidades de crescimento.
Brasileira filha de mãe paraguaia, a estudante Mariane Riquelme, 29 anos, destacou ao Correio do Estado que abriu uma conta no Banco Ueno há apenas uma semana e foi pega de surpresa com toda a questão envolvendo o banco paraguaio.
"Precisei recorrer ao banco para lidar com algumas questões ligadas a uma casa no Paraguai, e fui pega completamente de surpresa com tudo isso. Até o início da tarde sequer abrir o aplicativo eu estava conseguindo", destacou Mariane Riquelme, que vive do lado brasileiro da fronteira.
Questionada sobre o imbróglio envolvendo o banco, destacou que a medida é delicada para os dois lados da fronteira, uma vez que o banco aderiu o sistema Pix de pagamento em dezembro de 2025 e atraiu clientes brasileiros.
"Difícil, porque o Ueno digital aderiu o pix e isso atraiu muitos brasileiros, isso é um recurso bom, e que neste momento afeta negativamente muitos brasileiros", destacou.